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Mercado Imobiliário de São Paulo no 1º Trimestre de 2026: 49 Mil Vendas e R$ 32,4 Bilhões

Os dados oficiais de ITBI mostram que o primeiro trimestre de 2026 movimentou R$ 32,4 bilhões em São Paulo, com 49.164 transações e mediana de R$ 348,4 mil — bem distante da média de R$ 659,6 mil, evidência da cauda longa do mercado. Março acelerou 24% sobre fevereiro, e o desconto médio para o valor de referência fechou em 25,3%.

Mercado Transparente
7 min de leitura
Skyline de São Paulo ao entardecer

No primeiro trimestre de 2026, o município de São Paulo registrou 49.164 transações imobiliárias pagas via ITBI, somando R$ 32,43 bilhões em valor declarado. A média de R$ 659,6 mil por operação é quase o dobro da mediana, R$ 348,4 mil — o mesmo descompasso que descreve, em dois números, o mercado paulistano: uma massa enorme de imóveis na casa das centenas de milhares de reais e uma minoria de operações milionárias que distorce qualquer leitura apressada.

Este post abre uma série de seis análises sobre o trimestre, todas baseadas em dados oficiais de ITBI — ou seja, transações que efetivamente aconteceram e foram tributadas, e não preços pedidos em portais de anúncio. Aqui o foco é o panorama macro: volume, distribuição de preços, a trajetória de janeiro a março e o contraste com o valor de referência da Prefeitura. Nos próximos posts descemos ao recorte por bairro, ao financiamento, às maiores vendas, às naturezas de transação e ao duelo entre pagamento à vista e financiado.

O Tamanho do Mercado no Trimestre

Três meses, quase 50 mil operações, R$ 32 bilhões transacionados. O agregado do primeiro trimestre deixa pouca dúvida sobre o porte do mercado paulistano: foram, em média, mais de 540 transações por dia ao longo do período, distribuídas por todas as regiões da cidade.

Métrica

1º Trimestre 2026

Total de transações

49.164

Volume total declarado

R$ 32.427.835.458

Valor médio por transação

R$ 659.612

Valor mediano por transação

R$ 348.412

25% mais baratas (P25)

R$ 252.906

25% mais caras (P75)

R$ 572.000

Maior transação registrada

R$ 236.946.000

A distância entre os percentis conta a história real: metade de todas as transações do trimestre ocorreu abaixo de R$ 348,4 mil, e três em cada quatro ficaram abaixo de R$ 572 mil. O coração do mercado paulistano está no intervalo entre R$ 253 mil e R$ 572 mil — é onde a oferta efetivamente encontra o comprador típico, independentemente das manchetes sobre apartamentos de R$ 30 milhões.

A média de R$ 659,6 mil não está errada: ela é puxada para cima por um grupo pequeno de operações de altíssimo valor. Basta uma única transação de R$ 236,9 milhões — a maior do trimestre — para equivaler, sozinha, a mais de 680 imóveis no valor mediano da cidade. Em mercados de cauda longa, a mediana é mais informativa do que a média, e a mediana do trimestre fala de um mercado bem mais acessível do que costuma se imaginar.

A Trajetória do Trimestre: Um Março Forte

O dado mais interessante do período não é o agregado, e sim a trajetória mês a mês. Janeiro e fevereiro abriram o ano em ritmo morno, e março acelerou de forma clara — tanto em número de operações quanto em volume financeiro.

Mês

Transações

Variação

Volume

Valor Médio

Janeiro 2026

14.734

R$ 10,19 bi

R$ 691.885

Fevereiro 2026

15.364

+4,3%

R$ 9,36 bi

R$ 609.139

Março 2026

19.066

+24,1%

R$ 12,88 bi

R$ 675.342

De janeiro a março, o número de transações cresceu 29,4% e o volume financeiro subiu 26,3%. Fevereiro foi o vale do trimestre — menos volume e menor valor médio, padrão típico de um mês curto e de baixa atividade após o recesso. Março reverteu tudo: quase 19,1 mil operações, o maior volume do período.

Vale registrar o pano de fundo macroeconômico, sem forçar relações de causa: o trimestre começou com a taxa Selic em 15% ao ano (mantida na reunião de janeiro do Copom) e terminou com o primeiro corte de juros desde 2024, para 14,75%, anunciado em março. Foi, portanto, um trimestre de crédito ainda caro, com sinal de virada apenas no fim — o que torna a aceleração de março ainda mais digna de nota.

O Imóvel Típico: Apartamento, Terreno e Casa

O ITBI também classifica cada operação pelo uso do imóvel (cadastro de IPTU). No trimestre, a composição revela um mercado dominado pela moradia, mas com peso relevante de terreno — combustível do ciclo de incorporação da cidade.

Tipo de imóvel

Transações

% do trimestre

Apartamento em condomínio

17.273

35,1%

Terreno

9.283

18,9%

Residência (casa)

6.957

14,2%

Garagem (unidade autônoma)

2.196

4,5%

Loja

1.872

3,8%

Indústria

1.652

3,4%

Escritório/consultório em condomínio

1.440

2,9%

Pouco mais de um terço das transações foram apartamentos, e quase metade de tudo (49,2%) foi apartamento ou casa. O segundo item mais negociado é revelador: terreno, com 9,3 mil operações no trimestre. Um mercado que compra terreno em volume é um mercado em que incorporadoras seguem montando estoque para lançar — coerente com o ciclo de lançamentos aquecido que São Paulo viveu em 2025. A presença da garagem como unidade autônoma (2,2 mil vendas) é a curiosidade do recorte: vagas de garagem com matrícula própria mudam de mãos como qualquer outro imóvel.

Preço Pedido Não É Preço Pago: O Desconto de 25,3%

Um dos dados mais subutilizados do ITBI é a comparação entre o valor declarado pelo comprador e o valor venal de referência da Prefeitura. O valor de referência é a estimativa do município sobre quanto o imóvel deveria valer; o valor declarado é o que de fato foi pago e tributado. A diferença média entre os dois é uma medida direta de como o mercado real precifica o estoque.

No trimestre, o desconto médio em relação ao valor de referência foi de 25,3% — no topo da faixa histórica do indicador, que costuma oscilar entre 15% e 26%. Em outras palavras, na média, os imóveis foram negociados cerca de um quarto abaixo do que a Prefeitura estima como referência.

Por que isso importa? Índices como o FipeZAP medem preços de anúncio — o que os vendedores pedem. O ITBI mede preço de transação registrado — o que os compradores efetivamente pagaram. Enquanto o FipeZAP apontou alta de cerca de 6,7% nos preços anunciados em São Paulo nos 12 meses até o início de 2026, os dados de ITBI mostram o outro lado da mesa: existe uma diferença sistemática entre o que se anuncia e o que se fecha. Essa é a fotografia que só a fonte oficial permite.

Para quem está negociando, o número tem aplicação prática. Ele não significa que toda oferta vai fechar com 25% de abatimento — é um agregado puxado por operações variadas, incluindo permutas, dações e negócios entre partes relacionadas. Mas indica que, na maioria dos casos, existe margem de negociação em relação à etiqueta inicial.

O Ritmo da Cidade: A Sexta-Feira Domina

Os dados de ITBI revelam até o calendário operacional do mercado. A distribuição por dia da semana é eloquente: a sexta-feira concentrou 14.275 transações no trimestre — 29% do total —, enquanto os fins de semana praticamente desaparecem do registro.

Dia da Semana

Transações

% do Trimestre

Segunda

8.116

16,5%

Terça

8.874

18,0%

Quarta

8.571

17,4%

Quinta

8.622

17,5%

Sexta

14.275

29,0%

Sábado

657

1,3%

Domingo

47

0,1%

O padrão tem explicação prática: o ITBI é pago por guia bancária, e a maior parte dos cartórios e instituições financeiras concentra a liquidação de operações nos dias úteis, com forte preferência pelas sextas-feiras — quando se fecham processos de financiamento e escrituras agendadas. Os pouco mais de 700 registros somados em sábados e domingos refletem pagamentos avulsos via internet banking, não a atividade real do mercado nesses dias.

O Que os Dados do Trimestre Contam

Três leituras emergem do panorama agregado. A primeira é que o mercado paulistano é dominado pelo médio padrão: a mediana de R$ 348,4 mil, e não a média de R$ 659,6 mil, descreve o imóvel típico transacionado. A segunda é que a distribuição é fortemente assimétrica — três quartos das operações ficam abaixo de R$ 572 mil, mas uma cauda longa de negócios milionários sustenta o volume agregado. A terceira é que preço pedido não é preço pago: o desconto médio de 25,3% em relação ao valor de referência é uma medida direta da diferença entre o que se anuncia e o que efetivamente se transaciona.

Esta análise abre a série sobre o primeiro trimestre de 2026. Nos próximos posts vamos descer ao recorte geográfico — quais bairros concentraram preço e volume —, ao financiamento imobiliário (SFH, Minha Casa Minha Vida e o novo teto de R$ 2,25 milhões), às maiores vendas individuais do trimestre, às naturezas de transação além da compra e venda (leilões, permutas e dações) e ao duelo entre pagamento à vista e financiado.

Os dados completos por endereço estão disponíveis no Mercado Transparente, onde é possível consultar transações reais por rua, número e bairro — sem filtros de anúncio, sem promessa de venda, apenas o que de fato foi registrado e pago.

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    Imóveis em SP no 1º Tri 2026: 49 Mil Vendas, R$ 32,4 Bi