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Financiamento de Imóveis em SP no 1º Trimestre de 2026: SFH Domina, MCMV Sustenta o Volume

Dos imóveis financiados em São Paulo no primeiro trimestre de 2026, 64% passaram pelo SFH e 28,5% pelo Minha Casa Minha Vida. Em média, o comprador financiou 71,7% do valor da operação. Analisamos cada modalidade, o novo teto do SFH (R$ 2,25 milhões) e o efeito dos juros altos sobre o crédito habitacional.

Mercado Transparente
7 min de leitura
Chave de imóvel representando financiamento imobiliário

Entre as transações com financiamento declarado no ITBI de São Paulo no primeiro trimestre de 2026, quase 2 em cada 3 passaram pelo Sistema Financeiro de Habitação (SFH). Foram 13.957 contratos de SFH, contra 6.224 operações pelo Minha Casa Minha Vida (MCMV), 930 pela carteira hipotecária e SFI, e 707 por consórcio. O total — 21.818 transações financiadas — representa 44% das 49.164 guias de ITBI emitidas no trimestre. As outras 56% foram pagas à vista.

A leitura é direta: a maior parte do mercado paulistano continua sendo movimentada com recursos próprios, mas, quando o comprador precisa do banco, ele recorre primeiro ao SFH. Os dados a seguir vêm da declaração obrigatória do ITBI — refletem operações de fato registradas, não pesquisas de intenção ou anúncios. Para o panorama geral do trimestre, veja o panorama do 1º trimestre de 2026.

Nota metodológica. As modalidades de financiamento são declaradas pelo comprador no momento do recolhimento do ITBI. Transações sem indicação de financiamento são tratadas como pagamento à vista (recursos próprios, FGTS direto, permutas etc.) — assunto que detalhamos no post sobre à vista x financiado. O valor médio financiado considera apenas operações com financiamento positivo.

Como SP Financiou Seus Imóveis: A Foto do Trimestre

Das 49.164 transações do trimestre, 21.818 (44%) trouxeram financiamento bancário declarado. Quando há financiamento, a relação entre valor financiado e valor declarado é alta: em média, 71,7% do valor da operação foi financiado. Ou seja, mesmo quem recorre ao banco normalmente entra com cerca de 28% do preço como sinal e custos próprios.

Indicador

1º Trimestre 2026

Total de transações registradas

49.164

Operações com financiamento declarado

21.818

% do mercado com financiamento

~44,4%

Razão média (valor financiado / valor declarado)

71,7%

Essa relação de 71,7% é importante para qualquer comprador planejando a entrada: na prática, o mercado financia cerca de 7 em cada 10 reais do imóvel — e isso vale como média entre todas as modalidades juntas. Quem chega ao banco contando financiar 90% precisa rever o ticket-alvo ou reforçar a reserva.

Quais Modalidades os Compradores Usaram

A distribuição entre as quatro modalidades ativas no trimestre mostra a hegemonia do SFH e a forte presença do MCMV, com pouco espaço para as alternativas:

Modalidade

Contratos

% do financiado

Volume declarado

Valor médio financiado

Sistema Financeiro de Habitação (SFH)

13.957

64,0%

R$ 7,07 bi

R$ 331.474

Minha Casa Minha Vida (MCMV)

6.224

28,5%

R$ 1,82 bi

R$ 222.636

SFI, Carteira Hipotecária e similares

930

4,3%

R$ 1,02 bi

R$ 695.663

Consórcio

707

3,2%

R$ 502 mi

R$ 506.183

Total

21.818

100%

R$ 10,41 bi

Três leituras saltam da tabela:

  1. SFH e MCMV juntos respondem por 92,5% dos contratos financiados — São Paulo, em crédito imobiliário declarado, segue majoritariamente um mercado de produto popular e de classe média formal.

  2. Carteira hipotecária e SFI são raras, porém caras. Apenas 4,3% das operações, mas com valor médio financiado de R$ 695 mil — mais que o dobro do SFH. Indica imóveis acima dos antigos limites do SFH e/ou compradores de renda mais alta.

  3. Consórcio aparece pouco no ITBI. Só 707 operações. Há provável subnotificação (uma vez contemplado, parte do consorciado declara o pagamento como recursos próprios), mas, no agregado, a modalidade não é uma força de mercado em SP.

SFH: O Cavalo de Trabalho do Comprador Paulistano

Com 13.957 contratos, o Sistema Financeiro de Habitação é, isolado, a modalidade mais usada — e por uma margem confortável. O valor médio da operação no SFH foi de R$ 506 mil, com valor financiado médio de R$ 331 mil.

Isso significa que o comprador típico do SFH em São Paulo está colocando, em média, cerca de R$ 175 mil de entrada — algo como 35% do preço com recursos próprios. Algumas implicações práticas:

  • O imóvel mediano financiado por SFH em SP fica na faixa de R$ 400 a 550 mil — exatamente onde se concentra grande parte da oferta de apartamentos compactos a médios na cidade.

  • Para o comprador com renda formal estável, é o caminho mais barato em juros. As taxas do SFH ficam historicamente abaixo das modalidades livres (SFI/carteira hipotecária).

  • A composição "70/30" (financiamento/entrada) deveria ser regra mental ao planejar a compra.

O Novo Teto do SFH: de R$ 1,5 mi para R$ 2,25 milhões

A grande mudança de contexto em 2026 é regulatória. O teto de valor de imóvel financiável pelo SFH subiu de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões, segundo a Caixa Econômica Federal — uma resposta à valorização acumulada dos imóveis (o índice IGMI-R apontou alta de cerca de 17% em 12 meses). Na prática, imóveis de médio e alto padrão que antes só podiam ser financiados por linhas livres e caras agora voltam às taxas reguladas do SFH e podem usar o FGTS.

O efeito tende a aparecer nos próximos trimestres, mas a direção é clara: parte da demanda que hoje aparece como "carteira hipotecária/SFI" — aquelas 930 operações de ticket alto — pode migrar para o SFH conforme o novo teto se consolida. Vale acompanhar.

MCMV: 28,5% dos Contratos, Outro Mercado

O Minha Casa Minha Vida aparece em 6.224 operações, equivalentes a 28,5% das transações financiadas. O que define o MCMV não é só o volume — é o ticket. A operação média teve valor declarado de R$ 292 mil e valor financiado de R$ 223 mil:

  • O imóvel típico do MCMV é 42% mais barato do que o do SFH (R$ 292 mil vs R$ 506 mil).

  • A razão financiamento/valor é mais alta: 76% no MCMV. Faz sentido — o programa é desenhado para compradores com menor capacidade de entrada e conta com subsídio público.

Na prática, MCMV e SFH não competem pelo mesmo comprador: desenham dois mercados paralelos dentro da mesma cidade. Os 28,5% do MCMV mostram que esse segmento, em volume, não é marginal — é estrutural ao mercado paulistano.

O que muda em 2026 no MCMV. O programa foi reformulado com novas faixas de renda e limites de valor. A novidade mais comentada é a criação de uma faixa voltada à classe média (renda mensal de cerca de R$ 9,6 mil a R$ 13 mil, com teto de imóvel de R$ 600 mil e juros nominais em torno de 10% ao ano). Como a vigência dessa faixa começa logo após o fim do 1º trimestre, o efeito ainda não aparece nos dados de janeiro a março — mas deve mexer com a distribuição nos próximos meses.

Carteira Hipotecária, SFI e Consórcio: Pouco Frequentes, Tickets Altos

A linha "SFI, Carteira Hipotecária e similares" soma 930 operações (4,3%), mas movimenta R$ 1,02 bilhão em valor declarado, com valor médio financiado de R$ 695 mil — o maior entre todas as modalidades. É o terreno do imóvel acima do teto do SFH (até a mudança de 2026): quando o comprador precisa financiar um imóvel mais caro, sobram o SFI e as linhas de carteira hipotecária, com juros maiores. Muitos compradores desse perfil, aliás, simplesmente pagam à vista — o que ajuda a explicar por que tantas transações do segmento alto não aparecem na estatística de financiamento.

O consórcio soma 707 operações (3,2%), com ticket médio de R$ 709 mil. Permanece uma rota minoritária em São Paulo, ainda que com possível subdeclaração.

O Crédito Caro Como Pano de Fundo

Todo o trimestre se desenrolou sob juros altos: a Selic ficou em 15% ao ano em janeiro e fevereiro, com o primeiro corte (para 14,75%) apenas em março. Crédito caro encarece a parcela e reduz a acessibilidade — o que ajuda a explicar por que o percentual de operações financiadas caiu suavemente ao longo do trimestre, de 45,5% em janeiro para 43,4% em março. À medida que o ciclo de cortes avança e o novo teto do SFH se consolida, a expectativa do setor é de recuperação gradual do crédito habitacional.

Implicações Para Quem Vai Comprar

Três conclusões diretas para o comprador residencial:

  1. SFH e MCMV são as duas portas reais de entrada para quem precisa do banco. Dentro dos limites de renda e valor, o caminho está pavimentado — taxas competitivas, fluxo conhecido pelos cartórios. E o novo teto de R$ 2,25 mi amplia o alcance do SFH para imóveis de padrão mais alto.

  2. O mercado financia, em média, 71,7% do imóvel — não 90%. Reserva típica do comprador SFH em SP gira em torno de R$ 150 a 180 mil para um imóvel mediano.

  3. A maior parte do volume da cidade está à vista (56% das transações). Em uma negociação por imóvel disputado, o comprador com financiamento aprovado concorre com perfis que decidem em uma semana e pagam sem cláusula suspensiva — tema que aprofundamos no post sobre à vista x financiado.

Onde, exatamente, esse comprador SFH encontra estoque? Veja o ranking de bairros do trimestre. Os dados completos de transações por endereço estão no Mercado Transparente — preços de fato registrados, não anúncios.

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    Financiamento de Imóvel em SP 1º Tri 2026: SFH e MCMV